« A vingança é uma ilusão suicida.» Tudo começa com uma viagem: no tempo e no espaço, na imaginação e na memória. Em plena ditadura brasileira, um pai e o seu filho de onze anos sobrevoam, num bimotor, o coração da floresta amazónica. O pai, dado a excessos anímicos, mantém ligações obscuras aos militares que apoiam o governo. O filho, desamparado, embrenha-se obsessivamente na leitura de um romance de ficção científica sobre a demanda por um planeta substituto da Terra. Entre os dois, a comunicação é cada vez mais falha. Até que, à chegada a uma das fazendas que pontuam a Amazónia, um episódio terrivelmente violento vai deixar marcas que ficarão para sempre. Mergulho na história moderna do Brasil, com uma sucessão de acontecimentos perturbadores e uma galeria de personagens sinistras, Os substitutos é também a demanda feroz e comovente pelo que (des)une dois homens. Bernardo Carvalho alcança aqui o lugar mais íntimo da sua obra, já que é entre pais e filhos que se estabelece a mais complexa das relações humanas. Os elogios da crítica: « Se tudo neste romance é espelho e comentário de uma outra coisa […], tudo reflete também a complexidade do mundo em chamas no qual vivemos. O entendimento das relações interrompidas e insatisfatórias, e do inconsolável desejo que lhes está no núcleo, torna Bernardo Carvalho um dos melhores romancistas contemporâneos, no Brasil e no mundo.» Benjamin Moser « O ficcionista brasileiro actual mais interessante. [Este romance é] uma relojoaria minuciosa sobre substituições: a substituição de um pai por um filho, de um planeta A por um planeta B, da ditadura militar pela democracia […]. E é incrível como tudo bate certo.» Pedro Mexia « Neste romance, somos levados numa viagem pelo interior do Brasil e por uma complexa narrativa por onde passam temas como a memória, a moral e a ética, a devastação amazónica, o genocídio dos povos indígenas durante a ditadura militar brasileira e a reparação dos abusos do passado. Se agirmos por vingança, conseguimos alguma vez sair de onde estamos encurralados?» Isabel Coutinho, Público « Entre o Brasil da ditadura e o Brasil da pós-verdade, Os substitutos atravessa o tempo sem fixar morada. É um romance sobre o que resta depois da queda, depois do silêncio, depois da culpa.» Lís Barros, Comunidade Cultura e Arte « Os substitutos é irmão de Nove noites , uma das obras mais admiradas de Carvalho. […] Nenhum de seus personagens é edulcorado. Todos fazem escolhas condenáveis, como a maioria de nós, humanos. Não é papel do leitor condenar os personagens, […] mas viver o seu contrassenso.» Folha de S. Paulo « Os livros de Bernardo Carvalho são bólides de fórmula 1, afinados até ao último detalhe, blocos de literatura pura.» Les Inrockuptibles « Um dos raros escritores que têm um projeto de escrita muito claro. A literatura é, para Bernardo Carvalho, o lugar da complexidade, dos paradoxos, em qualquer época, em qualquer lugar. […] Há [neste romance] um jogo de camadas no qual uma coisa substitui a outra: o pai quer ser substituído pelo filho que, por sua vez, tenta substituir a realidade pela ficção, enquanto a ditadura militar explode aviões com ‘terroristas’, mata indígenas, substituindo uma terra por um país fundado na violência.» Tatiana Salem Levy, Valor Ler mais Ler menos