Profundamente comovente e pontuada por momentos em que a ironia encontra o hilariante, esta é a prequela de Um Homem em Declínio . Num sanatório junto ao mar, encontramos a versão mais jovem do narrador de Um Homem em Declínio , que ali convalesce, depois de uma tentativa de suicídio falhada. Enquanto Yozo Oba recupera, amigos e família sucedem-se no palco deste romance: o quarto do doente. Porém, num ambiente que se suporia tranquilo e algo lúgubre, onde, pelo menos, o recato e o silêncio esperariam encontrar lugar, todas as visitas, e até outros pacientes e enfermeiros, parecem querer divertir-se e envolver Yozo numa atmosfera leve e festiva: jogam às cartas, fumam, contam piadas, procuram constante atenção, procuram o riso. Se, em Um Homem em Declínio , um dos mais importantes romances japoneses do século XX, mergulhámos nos recessos obscuros da consciência humana, em As Flores do Riso , Dazai experimenta os mesmos temas, mas mergulha-os numa dose inesperada de comicidade, enquanto retrata um grupo de jovens incomum, no Japão do pré-guerra.